14 Agosto 2007

Lula não é Sassá Mutema

Estou ficando cada vez mais preocupado, porque me sinto cada vez mais idiota, inútil e estúpido. Ou tudo o que eu penso é uma tremenda idiotice, ou todos são loucos. Não encontro outra explicação.

Sabe qual é o problema? Não é só a corrupção, nem a falta de memória popular, nem o desinteresse, nem a malandragem... poxa. Não é nada disso! É uma coisa mais simples, mais óbvia e palpável. É algo como: 40 milhões de pessoas que passam fome, mais ou menos 1 milhão de pessoas que são "proprietárias do Brasil" e 148 milhões de paspalhos que não sabem o quê fazer.

Imagino que a imagem dos miseráveis seja tão aterradora que consiga conter qualquer insurreição - e isso não só no Brasil, mas em qualquer país. Olhar uma pessoa "dobrada de fome" (como uma imagem que vi) dói no orgulho próprio de qualquer pessoa - sabemos que somos responsáveis por aquela "imagem". Quando interiorizamos a dor de alguém, é como se a vivêssemos. O que ocorre nessa "experiência sensitiva"? Ao invés de ajudarmos, queremos estar o mais distante possível daquela situação? Temos que trabalhar e cuidar "dos nossos familiares" (primeiro o meu!), tentando evitar a imagem da fome (um fantasma que nos assombra)?

Enquanto isso, a maioria da classe política brasileira nada em dinheiro. Nada do verbo nadar! 140% de reajuste aos cargos de confiança (Federal). O que me deixa espantado é que as pessoas ainda pensam que haverá um Sassá Mutema, um "Salvador da Pátria" que nos tirará deste mar de lama! Os jogos políticos são tão complexos que alguém poderia afirmar que não é possível determinar aonde começa a corrupção e aonde acaba a política - corrupção e política parecem sinônimos.

Meus amigos, nós não fomos enganados. Nós nos enganamos, o que é diferente. Somos tão culpados como eles. Se você chegou até este ponto no texto e o compreendeu, é porque você não está entre os 40 milhões de miseráveis. Entretanto, é um dos idiotas, como eu, que não sabem o que hão de fazer.

Os escândalos vão se acumulando e sendo herdados e recriados, governo após governo. O Presidente da República acaba por levar a culpa, porque afinal, ele pode sempre destituir o Congresso... "né?" Na verdade, o que isso demonstra é que o "bode expiatório" existe para que os verdadeiros culpados (congressistas) possam sair ilesos de responsabilidade no próximo pleito eleitoral.

Escândalo: descrédito causado por conduta irreligiosa/ímpia (1581, francês medieval).

5 comentários:

Anônimo disse...

pelo menos o governo Lula não esconde os escândalos como os outros faziam! quantos escândalos ficaram debaixo da mesa ou dentro de uma gaveta no Brasil? podem até ser corruptos, mas deixam a polícia federal investigar os casos.

Anônimo disse...

São todos uns sem vergonha!!!!! Culpa do povo que não sabe escolher!!

Mário.

Anônimo disse...

O governo Lula conseguiu bater o record de escandalos antes de terminar o segundo mandato.

Rose

Antônio T. Praxedes disse...

O governo Lula deve ser analisado pela categoria da castração (Lacan). É uma pessoa de origens humildes que atingiu o Poder, com apoio popular, mas sem se desligar das origens coloniais que dirigem o Brasil.
Ainda não foi dessa vez.
Mas seria o caso devolver o Poder as suas origens oligárquicas/familiares históricas? Essa é uma questão a ser estudada!

José Mesquita disse...

Maravilha de texto. Reproduzido no meu blog.

- Ambiente de idéias -
Conjunto 1 - Idéias sobre a aculturação social e política.

a) Série Receita para uma população dócil.
Parte 1: educação.
Parte 2: cultura.
Parte 3: auto-estima popular.

b) Série Brasil: uma política para século XXI.
- Lula não é Sassá Mutema.
- Procura-se uma nova ordem moral.
- Qual a solução para o Brasil?
- Parar para (re)pensar o Brasil.

c) Série O Brasil e a nova ordem mundial.
- O projeto imperialista brasileiro nos países da CPLP.
- Receita brasileira no World Economic Forum 2007.
- Misteriosos são os caminhos do MERCOSUL.
- Privatização: ameaça ao Estado social democrático de Direito.
- O livre comércio neoliberal e os interesses imperialistas.
- A "oportuna" análise do The Economist.
- Brasil, uma potência mundial.

d) Série Ensino jurídico.
- Direitos dos animais.
- O direito de ter direitos.
- A "ciência" e a dominação social.
- Cumpra-se! Amém...
- A ilusão do diploma de bacharel em Direito.
- Por uma nova Educação no ensino jurídico.
- O ensino jurídico e a construção de um novo País.
- Documentário: "Justiça".

e) Mídia e comunicação social.
- "Direito.gov" versus "Orkut.com".
- A Era do Byte.
- A força da mídia e a fraqueza do Estado.
- SiCKO: uma sociedade doente...
- A informação e a condição humana.
- Comunismo no Brasil, hermano?
- Não Veja...

Conjunto 2 - Análises sobre conflito social.

a) Os direitos sociais.
- Europa: um espaço de diferenças.
- Flexigurança (flexicurity): o diálogo social no outro lado do espelho.
- CPMF: a volta dos que não foram...
- Os direitos sociais e a nova hermenêutica constitucional.
- A Constituição cortesã e os direitos sociais.

b) Violência urbana.
b.1) Brasil.
- A violência no Ceará e as medidas paliativas.
- Falcão para Caveira, câmbio...
- Redução da maioridade penal no Brasil.
- Armas, flores e estilos.
- Segunda leitura acerca da violência em São Paulo.
- Violência policial e respeito: duas coisas incompatíveis.
- Os cidadãos do semáforo.
- Reintegração de posse em São Paulo, sob violência policial.
- O comércio de armas e a comunicação social: um paralelo entre Brasil e EUA (ensaio).
b.2) Mundo.
- A guerra das Drogas: a cocaína.
- Colômbia, Venezuela e o "Parceiro Oculto".
- Xenofobia e racismo na U.E.
- Violência contra crianças: Brasil e Portugal.
- A revolta dos jovens franceses.
- Protestos violentos em Paris.
- Governo francês recua ante a ilegitimidade de suas ações.
- Ação afirmativa - o papel dos jovens (Assia Giannelli).

c) Globalização e terrorismo.
- Mercenários norte-americanos matam 10 civis no Iraque.
- Petrodólares e a energia nuclear.
- Democracia na corda-bamba e o vento da globalização.
- Moral distorcida: uma guerra contra o terrorismo?
- África: os problemas de sempre.
- O Poder do Estado e a Soberania no Século XXI.
- A nova crise do mercado financeiro internacional.
- O muro da vergonha.
- À paz perpétua no Oriente Médio.

Conjunto 3 - A Democracia: caminhos e descaminhos.

- Lex mercatoria versus Democracia.
- Sistema representativo.
- As perspectivas do novo império (Eduardo Magnani).
- Debate: "As perspectivas do novo império.
- Monarquia e fascismo: o caso brasileiro.
- Eleições presidenciais 2008 (EUA) e as guerras do petróleo.
- O reacionário, o conservador e o indignado.
- África: a invasão européia - e o futuro?
- E por falar em democracia...
- A "polititica" no Brasil: o "toma lá, dá cá" entre as classes.
- O que muda na China, a partir de Outubro.
- Artigos selecionados -