04 Fevereiro 2011

Frustração

É preciso saber lidar com a frustração, para não se deixar dominar pelo sentimento em tela. Na realidade, comprendê-la passa por saber qual é a sua origem e, depois, examinar até que ponto se pode ser influenciado por seus efeitos. Por isso, algo de arqueológico se coloca diante de quem reflete sobre isso.

Uma das primeiras e mais fáceis explicações que se pode dar acerca da origem da frustração é transcendente, isto é, ao invés de se perceber que, como sentimento que é, ela desenvolve-se dentro do indivíduo, como reação endógena a um estímulo externo, sendo, portanto, subjetiva. Não se pode realizar a frustração como algo de responsabilidade de terceiro, quer dizer, ela não tem origem na atitude do "outro", mas é, antes, uma perspectiva do "eu" em determinado contexto. Assim, jamais se pode identificar a frustração como uma decepção em relação à atitude de outrem, mas, antes, uma reação interna, de responsabilidade da pessoa que a sente em razão de uma expectativa que criou acerca de um fato ou pessoa. Senão, todas as relações humanas seriam frustrantes, e tal não se pode ter por válido, sob pena de inexistência do gozo.

Uma segunda consideração acerca da frustração tem a ver com as antecipações irracionais que o indivíduo pode operar sobre o domínio de sua realidade vivencial. Assim, examinando as suas próprias situações cotidianas, o indivíduo poderá traçar estratégias e metas, baseadas nos cálculos que faz acerca de suas capacidades. Diante de uma falha nessas medições, tem-se um nível de frustração eficaz, válido e até sadio, pois influencia positivamente o ser a buscar novos métodos e aprovisionamento de forças para vencer os obstáculos futuros - mas é claro que se está a descrever o comportamento arredio à depressão, coisa tão comum nos tempos que correm.

Então, quando a frustração é real e em que medida pode ser útil? Difícil responder a essa pergunta. Minimamente, para considerá-la algo útil, quer no sentido biológico, quer no mental, é preciso dispor de tempo para refletir sobre sua origem e efeitos; o reposicionamento do pensamento, a reflexão, quer dizer, toda a atividade mental necessária à compreensão do ser na curva espaço-tempo e à reorganização da vida são commodities escassas, disponíveis a $eleto grupo de indivíduo$. Agora, se é real ou simplesmente uma fraqueza de espírito, aí é uma questão de se avaliar com que repetitividade esse sentimento costuma se repetir no cotidiano, se isso não demonstra certa imaturidade e assim por diante.

O fato é que a frustração é algo a se discutir diante desses níveis de ansiedade que aumentam no corre-corre da contemporaneidade. Ser saudável é saber lidar com as próprias emoções e com as dos outros, lembrando-se que poucos são aqueles que têm tempo para avaliar suas atitudes e compreender o mundo no qual estão inseridas. Enquanto isso... frustrações para você, nesta data, querida.

1 comentários:

bia brito disse...

Considero importante pararmos um pouco para refletir de onde provém o que sentimos em relação aos acontecimentos diários. A frustração é algo presente no cotidiano, e, é verdade que, na maioria dos casos, costumam as pessoas terceirizar a culpa por tal sentimento...

- Ambiente de idéias -
Conjunto 1 - Idéias sobre a aculturação social e política.

a) Série Receita para uma população dócil.
Parte 1: educação.
Parte 2: cultura.
Parte 3: auto-estima popular.

b) Série Brasil: uma política para século XXI.
- Lula não é Sassá Mutema.
- Procura-se uma nova ordem moral.
- Qual a solução para o Brasil?
- Parar para (re)pensar o Brasil.

c) Série O Brasil e a nova ordem mundial.
- O projeto imperialista brasileiro nos países da CPLP.
- Receita brasileira no World Economic Forum 2007.
- Misteriosos são os caminhos do MERCOSUL.
- Privatização: ameaça ao Estado social democrático de Direito.
- O livre comércio neoliberal e os interesses imperialistas.
- A "oportuna" análise do The Economist.
- Brasil, uma potência mundial.

d) Série Ensino jurídico.
- Direitos dos animais.
- O direito de ter direitos.
- A "ciência" e a dominação social.
- Cumpra-se! Amém...
- A ilusão do diploma de bacharel em Direito.
- Por uma nova Educação no ensino jurídico.
- O ensino jurídico e a construção de um novo País.
- Documentário: "Justiça".

e) Mídia e comunicação social.
- "Direito.gov" versus "Orkut.com".
- A Era do Byte.
- A força da mídia e a fraqueza do Estado.
- SiCKO: uma sociedade doente...
- A informação e a condição humana.
- Comunismo no Brasil, hermano?
- Não Veja...

Conjunto 2 - Análises sobre conflito social.

a) Os direitos sociais.
- Europa: um espaço de diferenças.
- Flexigurança (flexicurity): o diálogo social no outro lado do espelho.
- CPMF: a volta dos que não foram...
- Os direitos sociais e a nova hermenêutica constitucional.
- A Constituição cortesã e os direitos sociais.

b) Violência urbana.
b.1) Brasil.
- A violência no Ceará e as medidas paliativas.
- Falcão para Caveira, câmbio...
- Redução da maioridade penal no Brasil.
- Armas, flores e estilos.
- Segunda leitura acerca da violência em São Paulo.
- Violência policial e respeito: duas coisas incompatíveis.
- Os cidadãos do semáforo.
- Reintegração de posse em São Paulo, sob violência policial.
- O comércio de armas e a comunicação social: um paralelo entre Brasil e EUA (ensaio).
b.2) Mundo.
- A guerra das Drogas: a cocaína.
- Colômbia, Venezuela e o "Parceiro Oculto".
- Xenofobia e racismo na U.E.
- Violência contra crianças: Brasil e Portugal.
- A revolta dos jovens franceses.
- Protestos violentos em Paris.
- Governo francês recua ante a ilegitimidade de suas ações.
- Ação afirmativa - o papel dos jovens (Assia Giannelli).

c) Globalização e terrorismo.
- Mercenários norte-americanos matam 10 civis no Iraque.
- Petrodólares e a energia nuclear.
- Democracia na corda-bamba e o vento da globalização.
- Moral distorcida: uma guerra contra o terrorismo?
- África: os problemas de sempre.
- O Poder do Estado e a Soberania no Século XXI.
- A nova crise do mercado financeiro internacional.
- O muro da vergonha.
- À paz perpétua no Oriente Médio.

Conjunto 3 - A Democracia: caminhos e descaminhos.

- Lex mercatoria versus Democracia.
- Sistema representativo.
- As perspectivas do novo império (Eduardo Magnani).
- Debate: "As perspectivas do novo império.
- Monarquia e fascismo: o caso brasileiro.
- Eleições presidenciais 2008 (EUA) e as guerras do petróleo.
- O reacionário, o conservador e o indignado.
- África: a invasão européia - e o futuro?
- E por falar em democracia...
- A "polititica" no Brasil: o "toma lá, dá cá" entre as classes.
- O que muda na China, a partir de Outubro.
- Artigos selecionados -